ISSN 1519-2415
TRIBUTO [YANNI]
de um re-despertar
ELIANE SALUSTIANO *
Faz muitos mas muitos
anos que não escrevo do que já me orgulhei (e da qual me preenchi) chamando de
poesia.
Assistir ao
show/apresentação de Tribute do Yanni levou-me (mesmo
sem o envolvimento de um moderno home theather) ressuscitar um encantamento
e uma magia para com os sentimentos (muitos deles!) desde a delicadeza do ser
humano até mesmo a fortaleza que sustenta esse mesmo homem.
Esse contraste sempre foi
tema dos meus rabiscos e hoje, ao som do que revive a minha essência e regada a
um bom néctar dos deuses (que tanto aprendi a apreciar!) e que,
inclusive, tentou com insucesso me deixar muitas vezes perto desse
estágio .... que agora, somente agora, resolveu sair das minhas entranhas para
ser registrado como memória da incrível parte de mim e de todos nós que nos faz
maravilhosos seres humanos.
Cada suspiro, fascínio ou
regozijo de lágrima me faz sentir plena e dominada pela magia da felicidade e
do contato com meu ser interno.
Se essas palavras nem
vierem a ter sentido, repito que são frutos de um brainstorm incessantes e
delirantes do renascer de um pedaço de mim presente sempre mas ausente de
registro por muitos, realmente muitos anos.
Hoje, quase aos 31 anos
me recordo de rabiscar emoções aos 17. São quase 15 anos atrás, talvez o
aguardo de um debutar de mim mesma.
Realmente este momento da
minha vida parece ser especialmente único, recheado de descobertas e conquistas
magníficas tanto externas quanto (e principalmente) internas.
Penso que se vier a
encerrar o meu caminho hoje, nem cheguei a desfrutar 1/1000 do que a vida
poderia me proporcionar mas consegui sim, e disto me orgulho (como me orgulho)
de entender um bocado de mim, de meus anseios, de minhas restrições, da minha
fortaleza, do meu sentimentalismo e da minha humanidade.
Depois de me sentir
muitas vezes “menor/ péssima/ pior hoje”, incrivelmente, e de forma muito
natural, hoje estes predicados nem passam mais pela minha cabeça.
Que interessantemente
bom!
E interessantemente bom é
também poder dividir momentos da minha vida com pessoas fascinantemente
interessantes muitas vezes sem mesmo elas saberem que o são.
Lembrar de amigos
distantes e queridos, cheios de significâncias internas para mim que nem mesmo
eles, ou, até mesmo eu, temos plena noção.
Garranchos registram esse
delírio consciente (ah! como adoro esses paradoxos!). Na verdade cheguei a
conclusão de que paradoxos me fascinam. Delirar também. Saber que num mundo em
que aprendi a conquistar racional e friamente encontro momentos e maneiras de
expressar o meu eu pleno que está distante da maldade, da conveniência, do marketing
pessoal.
Existe sim em mim (e acredito que em qualquer pessoa também) um marketing natural que quero transmitir aos meus conviventes pelo brilho do meu olhar e o sorriso único que o universo me presenteou.
Lembrei de sentimentos
possíveis e incríveis de compartilhar como o arrepio a receber um beijo, o
beijo na nuca ao som do magnetismo de uma música envolvente. O “fazer amor”
transando que envolve almas com fascínio e igualmente com desejo.
Ah! Como é lindo e vasto
o mundo que podemos escolher para viver e, de forma simples, o que talvez possa
mais amedrontar é saber que desfrutar de tudo isso e muito mais (e tudo mais)
que o infinito depende unicamente de nossas escolhas. Como no filme “Efeito
Borboleta” escolher é definir o pedaço do mundo onde será possível você atuar e
brilhar (ou até mesmo, infelizmente, se ofuscar).
Mas esse brilho, ah! como
esse brilho fascina tanto a quem brilha como a quem assiste esta magnífica
manifestação de êxtase humano.
Sabe ... poder discorrer
sobre algumas graduações do ser humano é ótimo, digo, tanto ser (e saber
quando se precisa ser) a criança que necessita de afago e carinho, quanto o
adolescente inconseqüentemente desbravador ou mesmo adulto coerentemente
entendedor.
Olha que gama de papéis e de momentos nos são permitidos!
E quando temos
consciência e curtimos cada um deles, sabendo de nossa ânsia do momento, é
única e delicadamente uma magnífica experiência.
Lindo também é saber que
há pessoas no mundo que podem compartilhar dessa reflexão porque a vivem,
viveram ou desejam viver e, mais ainda, têm e devem acrescer comentários a este
momento de ressurreição do delírio poético.
NOTAS DE AUTORIA
Eliane é escritora advogada e contadora. Contato
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