Revista Tesseract 

1a. Edição 2007

 ISSN 1519-2415

 

 

Fazer e Fazer...Saúde da Mulher

NOELIZA LIMA

Depressão - seu nome é Mulher? Certamente, não!!

Ouvem-se  os termos: ' mudanças de humor', ou 'la donna è mobile', 'ela  está na TPM'.. Perceba que consistem em formas de explicar a mulher, que remetem ao mundo  masculino. Tenho lido reportagens da área de saúde enfatizando o uso de medicamentos para que nós, mulheres, não tenhamos 'tensão pré-menstrual', ou outros problemas tidos como hormonais e próprios da condição feminina. Os hormônios não são responsáveis por tudo. A mulher é condicionada culturalmente a desenvolver comportamentos que perturbam sua saúde, e precisa também ser informada acerca da adaptação cultural feminina. 

As mulheres são 'tarefeiras e cuidadoras', segundo Mary Castro, 1998*. Desde cedo a mulher aprende a se exigir, a cuidar do outro, a cumprir tarefas em casa, e também fora dela, conquistando um espaço na sociedade.  Hoje a mulher se prepara também para sua jornada profissional, o que é um ganho para seu desenvolvimento enquanto pessoa. 

Ao trabalhar fora pode cair no engodo cultural: trabalhar demais, porque também 'precisa agradar'.  Quando a pessoa se exige muito, ela faz muito.

A mulher é criada para atender a expectativas emocionais dos outros** (ainda) e aí ela se atrapalha. Altera sua química e então vai precisar de atendimento. Se não for logo a um profissional habilitado, pode desenvolver doenças mais sérias (envolvendo partes do corpo, como doenças de pele, dores, pressão alta, colesterol alto, diabete, tireoidite, e outras), e/ou  medo e/ou crise de pânico. Estas doenças chegam devagar e vêm sem se anunciar.

Como saber se está fazendo muito? A insatisfação, a ansiedade, a irritação são os primeiros sinais.
Abaixo estão algumas sugestões para resolver esta questão.


Pare de fazer mais do que a sua parte, pare de buscar agradar a outra pessoa, SEJA VOCÊ MESMA! Se não gostou, diga na hora. Quando se pegar fazendo mais que a sua parte, ou fazendo o que não quer fazer para ajudar alguém***, tenha uma conversa sincera consigo mesma para ver onde isto vai te levar. Aliás, reserve pelo menos uma hora durante a semana para caminhar sozinha e avaliar como você anda com você mesma. A gente pode esquecer do que gosta... pode achar que a vida não tem mais graça... talvez demore até muitos anos, mas ninguém escapa ilesa de postergar seus desejos, seus 'NÃOS' esquecidos na cozinha, no quarto, na sala de estar, no carro.

Sei que hoje as meninas estão mais autoconfiantes, mas existem ainda meninas preparadas para serem 'perfeitas'.
'Fazer demais': por uma relação, por um trabalho, na ânsia de 'agradar' e/ou 'ser perfeita' adoece.

NOTAS

* Mary Castro é pesquisadora feminista, doutora e escritora.

** da autora, Noeliza Lima. Cap. dissertação de mestrado. PUCCAMP, CAPES DS, 2000.

*** Acerca do jogo da Salvação, por Eric Berne, e seguidores. Maiores informações no Blog Mutações Matutinas

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