Revista Tesseract 

1a. Edição 2007

 ISSN 1519-2415

 

 

Bartleby – de Melville 

 

 

Este rapaz estava reduzido a uma última expressão de vontade; acuado, só podia oferecer como resistência: “acho melhor não”.

Na engrenagem de Wall Street ele só podia, razoavelmente, “escolher” obedecer. Um último lampejo de lucidez, isto é, de liberdade, e ele consegue se defender com a expressão de resistência – “acho melhor não” – que é, também, expressão do sujeito, isto é, da liberdade, reduzido ao mínimo. 

Sim, com isso ele não seria o espelho americano do pobre diabo de O Capote, de Gogol. Não economizaria por um casaco novo – mas por nada. 

A relação humana possível foi aquela, reduzida, de vago interesse e compaixão, guiada vagamente por leituras religiosas pouco dedicadas, que estabeleceu seu chefe advogado com ele. Mas não o suficiente para resgatar um sujeito. 

Mesmo uma retórica potente e profunda como a de Jonathan Edwards não seria mais suficiente para abalar essas sombras de Wall Street, fantasmas da máquina. 

Ele simplesmente percebeu que havia chegado ao fim do caminho – dead end, não dead letters – ao contemplar O Muro.  

 

Elisa Sayeg  

 

 

VOLTAR índice TESSERACT

 

memória escritora Moema

saúde da mulher

tributo (Yanni)

blog Goethe

Mito Narciso e Eco

avisos e anúncios